R$ 56 Milhões Sem Licitação: Como Três Empresas com Preços Idênticos Ajudaram a Justificar o Maior Contrato de Eventos da Assistência Social de São Paulo

Investigação • Fórum da Assistência Social de São Paulo

R$ 56 Milhões Sem Licitação: As Mesmas Empresas do Escândalo da Quarter Aparecem Como “Concorrentes” no Maior Contrato de Eventos da Assistência Social de São Paulo


Foto publicada no site da PMSP


Análise inédita do processo SEI 6024.2024/0014271-2 revela que a MM Quarter, a VM Produções e a LGL, as mesmas empresas que o Metrópoles mostrou serem usadas como “figurantes” para justificar contratos da Quarter com a SPTuris, também foram escolhidas para simular concorrência no contrato de R$ 56 milhões da SMADS. E os preços seguem uma fórmula matemática impossível de ocorrer em um mercado real.

Por Fórum da Assistência Social – FAS-SP


O escândalo que abalou a Prefeitura

Nas últimas semanas, uma série de reportagens do jornalista Demétrio Vecchioli no portal Metrópoles revelou o que pode ser um dos maiores escândalos da gestão Ricardo Nunes. A Agência MM Quarter, registrada em nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, ex-sócia do secretário-adjunto de Turismo Rodolfo Marinho e moradora de um cortiço na zona norte, acumulou mais de R$ 239 milhões em contratos com a São Paulo Turismo (SPTuris) desde 2022.

Na prática, a empresa é operada pelos irmãos Marcelo e Victor Correia Moraes. A Controladoria Geral do Município encontrou uma procuração de Nathalia dando plenos poderes a Rodolfo Marinho para administrar a empresa, inclusive movimentar contas bancárias e demitir funcionários. O escândalo já provocou a demissão do presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e do próprio Rodolfo Marinho.

Uma das revelações mais importantes do Metrópoles foi o mecanismo usado para renovar esses contratos sem licitação: a SPTuris fazia “pesquisas de mercado” cotando preços com empresas do próprio grupo da Quarter. A VM Produções, de Victor Moraes, irmão do diretor da Quarter e funcionário da própria agência, e a LGL, de Luis Gustavo Costa, amigo pessoal dos irmãos Moraes, sempre apresentavam orçamentos mais caros, garantindo que a Quarter fosse “a mais barata”. Foram R$ 210 milhões em contratos renovados dessa forma.

O que o FAS-SP revela agora: esse mesmo mecanismo, com as mesmas empresas, foi utilizado em outro contrato milionário, desta vez na área da assistência social. E com um agravante: neste caso, a MM Quarter não aparece como contratada, mas como “concorrente”. E os números são ainda mais escandalosos.

O contrato de R$ 56 milhões da Assistência Social

Em setembro de 2024, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) decidiu contratar a SP Turis, a mesma empresa municipal no centro do escândalo, para organizar os eventos de assistência social da cidade, incluindo as operações de altas e baixas temperaturas. Essas são as ações emergenciais que a Prefeitura realiza quando o frio ou o calor extremo coloca em risco a vida da população em situação de rua.

O valor: R$ 56.160.172,88. Cinquenta e seis milhões de reais por apenas seis meses.

Como se trata de uma contratação sem licitação (dispensa com base no artigo 75, IX, da Lei 14.133/2021), a SMADS precisava demonstrar que o preço era compatível com o mercado. Para isso, pediu orçamentos a outras empresas.

E quais empresas foram escolhidas para essa “pesquisa de mercado”? Exatamente as mesmas que o Metrópoles revelou serem usadas como figurantes nos contratos da Quarter com a SPTuris:

Empresa “Concorrente” Quem é de verdade
MM Quarter Produções A empresa no centro do escândalo. R$ 239 mi em contratos com SPTuris. Registrada em nome de “laranja”, operada pelos irmãos Moraes.
VM Produções e Eventos De Victor Correia Moraes, irmão do operador da Quarter e funcionário da própria agência.
LGL Promoções e Eventos De Luis Gustavo Costa, amigo pessoal dos irmãos Moraes.

As três apresentaram propostas mais caras. A SP Turis foi declarada “a mais vantajosa”. Contrato assinado.


A fórmula dos preços: ×1,16 • ×1,26 • ×1,40

Se a escolha das empresas já é questionável, o que se encontra nos preços é devastador.

O contrato da SP Turis envolve quatro tipos de eventos, sendo o maior a Operação Altas Temperaturas (OAT), com 17 itens, que vão de tendas a seguranças, de geradores a caixas de água mineral. Cada empresa apresentou seu preço para cada item.

Quando dividimos o preço de cada “concorrente” pelo preço da SP Turis, item por item, o resultado é assustador:

MM Quarter: todos os 17 preços são ×1,16 o preço da SP Turis

VM Produções: todos os 17 preços são ×1,26 o preço da SP Turis

LGL Promoções: todos os 17 preços são ×1,40 o preço da SP Turis

Precisão superior a 99,99%. Desvio padrão inferior a 0,003%

Para ilustrar com exemplos concretos:

Item SP Turis MM Quarter (×1,16) VM Prod. (×1,26) LGL (×1,40)
Agente de limpeza R$ 280,05 R$ 324,86 R$ 352,86 R$ 392,07
Tenda 10×10 R$ 4.605,65 R$ 5.342,55 R$ 5.803,12 R$ 6.447,91
Segurança patrimonial R$ 360,07 R$ 417,68 R$ 453,69 R$ 504,10
Gerador 180 KVA R$ 5.250,00 R$ 6.090,00 R$ 6.615,00 R$ 7.350,00

Em um mercado real, cada empresa tem seus próprios fornecedores, custos e margens. É impossível que três empresas independentes cheguem a preços que são múltiplos exatos de uma quarta. A única explicação é que alguém pegou os preços da SP Turis e aplicou os multiplicadores para gerar as propostas.

E aqui está a conexão com o escândalo revelado pelo Metrópoles: esse é exatamente o mesmo método descrito nas reportagens sobre os contratos da Quarter com a SPTuris. Empresas ligadas ao mesmo grupo apresentam orçamentos calculados para serem sempre mais caros, garantindo que a empresa “escolhida” pareça a mais vantajosa.


2025: o padrão se repete, com as mesmas empresas

Em 2025, quando o contrato precisou ser prorrogado, a SMADS fez uma nova pesquisa de preços. O e-mail foi enviado para mais de 15 destinatários. Mas, novamente, apenas as mesmas três empresas responderam.

E os preços unitários são exatamente iguais aos de 2024, centavo por centavo. Os multiplicadores continuam os mesmos: ×1,16, ×1,26 e ×1,40. Passaram-se oito meses, a inflação acumulada foi de cerca de 5%, e as quatro empresas mantiveram exatamente os mesmos preços, com exatamente as mesmas proporções.

Detalhe revelador: A proposta da LGL de 2025 está datada de “16 de Maio de 2024”. Um erro que sugere que o documento foi simplesmente copiado da proposta anterior, sem sequer atualizar o ano.

O truque do Evento Tipo B

Para reforçar a aparência de vantagem, foi utilizada uma manobra no Evento Tipo B, o menor do contrato. A SP Turis cotou apenas três itens simples, por R$ 9.439,31. Já as “concorrentes” incluíram valores absurdos de “Imposto a Recolher” e “Taxa Administrativa” sobre esses mesmos itens simples:

Empresa Evento Tipo B Multiplicador
SP Turis R$ 9.439,31 1,00×
MM Quarter R$ 305.053,04 32×
VM Produções R$ 383.164,87 41×
LGL Promoções R$ 410.979,99 44×

Impostos e taxas de mais de 4.000% sobre o valor dos itens. Isso não tem lógica comercial. A não ser que o objetivo seja inflar artificialmente a diferença para que a SP Turis pareça ainda mais “vantajosa”.


A mesma agência bancária

Outro dado revelador: a VM Produções e a MM Quarter possuem contas na mesma agência do Banco do Brasil, a agência 4770-8. Considerando que, segundo o Metrópoles, Victor Moraes (dono da VM) é irmão de Marcelo Moraes (operador da Quarter/MM Quarter), a coincidência bancária ganha um novo significado.


De “figurante” a “concorrente”: o duplo papel da Quarter

Nos contratos revelados pelo Metrópoles, a Quarter é a contratada e a VM e a LGL são as figurantes que justificam o preço. No contrato da SMADS, os papéis se invertem de forma curiosa: a SP Turis é a contratada, e a MM Quarter, a VM e a LGL são as figurantes.

Isso levanta uma pergunta inevitável: se a Quarter é subcontratada pela SP Turis para executar eventos (como é de conhecimento público), e se as mesmas empresas do grupo da Quarter aparecem como “concorrentes” da SP Turis na pesquisa de preços, quem realmente está por trás dessa operação?

O processo administrativo não permite afirmar com certeza. Mas a coincidência é, no mínimo, extraordinária: as mesmas três empresas que servem de figurantes para justificar R$ 210 milhões em contratos da Quarter com a SPTuris agora servem de figurantes para justificar R$ 56 milhões em contratos da SP Turis com a SMADS. E usam exatamente o mesmo método: preços calculados por fórmula, sempre mais caros, para garantir que a empresa “escolhida” pareça a mais vantajosa.


O que tudo isso significa para a Assistência Social

Estamos falando de R$ 56 milhões do dinheiro público, recursos destinados a proteger as pessoas mais vulneráveis de São Paulo durante ondas de calor e de frio. Se os preços estão artificialmente inflados e a pesquisa de mercado é simulada, cada real a mais que sai dos cofres públicos é um real a menos para quem mais precisa.

O escândalo da Quarter, revelado pelo Metrópoles, já provocou demissões e investigações da Controladoria Geral do Município e do Tribunal de Contas. Mas até agora, a discussão se concentrou nos contratos da área de turismo e cultura. O que esta análise mostra é que o mesmo mecanismo pode estar sendo usado também na assistência social, uma área onde o impacto sobre vidas humanas é ainda mais direto.


Cronologia dos fatos

Abril 2022 Nathalia Souza assume a MM Quarter e muda atividade para eventos
2022 a 2024 Quarter acumula R$ 239 mi em contratos com SPTuris
Ago 2023 Nathalia dá procuração a Rodolfo Marinho para administrar a Quarter
Set 2024 SMADS inicia processo para contratar SP Turis para eventos (R$ 56 mi)
Out 2024 Pesquisa de preços com MM Quarter, VM Produções e LGL. Todas mais caras
Nov 2024 Contrato assinado: SP Turis e SMADS por R$ 56.160.172,88
Jan 2025 Nova pesquisa de preços para prorrogação. Mesmas empresas, mesmos preços
Fev 2025 Contrato prorrogado com estimativa de R$ 80 mi para 12 meses
Fev 2026 Metrópoles revela escândalo da Quarter; Nunes demite presidente da SPTuris e secretário-adjunto

Os documentos citados nesta reportagem são públicos e podem ser consultados no sistema SEI da Prefeitura de São Paulo, sob o número 6024.2024/0014271-2.

Esta reportagem foi elaborada com base nos documentos públicos do processo (507 páginas) e nas reportagens publicadas pelo portal Metrópoles (coluna Demétrio Vecchioli), pelo G1, pela Folha de S.Paulo, pelo UOL e pela Band sobre o escândalo da MM Quarter e a SPTuris.

As conclusões são analíticas e não constituem acusação formal.

O Fórum da Assistência Social de São Paulo (FAS-SP) é uma instância de participação e controle social que acompanha e fiscaliza a política de assistência social na cidade de São Paulo.

www.fassp.org

left: 15px;">O que é a SP Turis e por que ela organiza eventos da Assistência Social?

Antes de entrar nos números, é importante entender o contexto. A SP Turis é uma empresa de economia mista controlada pela Prefeitura de São Paulo. Seu papel principal é promover o turismo e organizar grandes eventos na cidade como o Carnaval e a Virada Cultural.

Nos últimos anos, porém, a SP Turis passou a ser contratada também pela SMADS para organizar eventos ligados à assistência social. A justificativa legal para essa contratação sem licitação é o artigo 75, inciso IX, da Lei 14.133/2021, que permite a dispensa de licitação quando o serviço é prestado por empresa controlada pelo próprio poder público.

Essa dispensa, no entanto, não é um cheque em branco. A lei exige que o preço seja compatível com o de mercado. E é aí que entra a pesquisa de preços e é aí que começam os problemas.

A contratação de 2024: tudo acontece rápido demais

A história começa oficialmente em 17 de setembro de 2024, quando a SMADS elabora uma justificativa para a contratação emergencial da SP Turis. O motivo: o contrato anterior, no valor de R$ 41,4 milhões, havia se esgotado, e a cidade precisava continuar realizando as operações de altas e baixas temperaturas.

Mas aqui já aparece o primeiro ponto estranho. As planilhas de custo da SP Turis ou seja, os preços que ela cobraria pelo serviço foram emitidas em 6 de setembro de 2024. Isso é onze dias antes da justificativa oficial da SMADS para a contratação. Em outras palavras: a SP Turis já sabia quanto ia cobrar antes mesmo de a Secretaria formalizar que precisava do serviço.

Em 23 de setembro, a SMADS envia emails pedindo orçamentos a outras empresas. E aqui vem a segunda surpresa: as três empresas VM Produções, MM Quarter e LGL Promoções enviam suas propostas completas entre os dias 24 e 25 de setembro. Ou seja, em apenas um a dois dias úteis.

Estamos falando de um orçamento para um contrato de R$ 56 milhões, envolvendo dezenas de itens diferentes tendas, geradores, seguranças, equipes de limpeza, água mineral, mobiliário, entre outros. Preparar uma proposta séria para algo dessa complexidade em um único dia é, no mínimo, incomum.

Em 26 de setembro, apenas três dias depois de pedir os orçamentos, a área de Compras da SMADS já tinha o parecer pronto: a SP Turis era a mais vantajosa. Contrato assinado em 21 de novembro de 2024.

O segredo escondido nos centavos: a fórmula dos preços

Até aqui, o processo pode parecer apenas apressado. Mas é quando olhamos para os preços, item por item, que a situação muda de figura.

O contrato da SP Turis envolve quatro tipos de eventos, sendo o maior deles a chamada Operação Altas Temperaturas (OAT), que inclui 17 itens diferentes de tendas a seguranças, de geradores a caixas de água mineral. Cada empresa apresentou seu preço para cada um desses itens.

Quando colocamos esses preços lado a lado e fazemos uma conta simples dividimos o preço de cada concorrente pelo preço da SP Turis , o resultado é assustador:

Todos os 17 preços da MM Quarter são exatamente 1,16 vezes o preço da SP Turis.

Todos os 17 preços da VM Produções são exatamente 1,26 vezes o preço da SP Turis.

Todos os 17 preços da LGL Promoções são exatamente 1,40 vezes o preço da SP Turis.

Desvio padrão: inferior a 0,003%. Precisão de mais de 99,99%.

Para que o leitor entenda o que isso significa na prática, vamos a alguns exemplos concretos:

Item SP Turis MM (×1,16) VM (×1,26) LGL (×1,40)
Agente de Limpeza R$ 280,05 R$ 324,86 R$ 352,86 R$ 392,07
Água Mineral (cx) R$ 58,49 R$ 67,85 R$ 73,70 R$ 81,89
Seguranças R$ 356,40 R$ 413,42 R$ 449,06 R$ 498,96
Tendas 10×10m R$ 4.605,65 R$ 5.342,55 R$ 5.803,12 R$ 6.447,91
Gerador 80KVA R$ 1.523,46 R$ 1.767,21 R$ 1.919,56 R$ 2.132,84

Isso se repete em absolutamente todos os 17 itens: grades, placas metálicas, plotagem digital, mobiliário, manutenção elétrica tudo. Em um mercado real, cada empresa tem seus próprios fornecedores, seus próprios custos de mão de obra, seus próprios contratos de aluguel de equipamentos. É impossível que três empresas independentes, ao precificar 17 itens completamente diferentes, cheguem todas a preços que são múltiplos exatos de uma quarta empresa.

A única explicação lógica é que alguém pegou os preços da SP Turis e multiplicou por 1,16, 1,26 e 1,40 para gerar as propostas das concorrentes.

2025: o padrão se repete idêntico

Se o que aconteceu em 2024 já era grave, o que veio em 2025 tornou a situação ainda mais difícil de explicar.

Em fevereiro de 2025, a SMADS iniciou o processo de prorrogação do contrato. Como a lei exige uma nova pesquisa de preços para justificar a renovação, em 1º de abril de 2025 foram enviados emails solicitando novos orçamentos.

O email foi enviado para mais de 15 destinatários. Mas, novamente, apenas as mesmas três empresas responderam: VM Produções, MM Quarter e LGL Promoções. As propostas chegaram em 15 e 16 de maio de 2025.

Os preços unitários de 2025 são exatamente iguais aos de 2024. Não parecidos iguais. Centavo por centavo. E os multiplicadores continuam os mesmos: ×1,16, ×1,26 e ×1,40.

Passaramse oito meses, a inflação acumulada no período foi de aproximadamente 5%, o mercado de eventos mudou e, ainda assim, as quatro empresas mantiveram exatamente os mesmos preços, com exatamente as mesmas proporções entre si.

O truque do Evento Tipo B: como inflar a diferença

Além dos multiplicadores fixos, há outra manobra que chama atenção: a forma como o chamado "Evento Tipo B" foi cotado.

O Evento Tipo B é o menor e mais simples dos quatro tipos de eventos do contrato. Na proposta da SP Turis, ele inclui apenas três itens básicos: apoio operacional (4 pessoas), banheiro químico (2 unidades) e tendas 4×4 sem piso (5 unidades). O custo total: R$ 9.439,31.

Já as concorrentes apresentaram valores absurdamente maiores para o mesmo evento. Em 2025, a distorção ficou grotesca:

SP Turis: R$ 9.439,31

MM Quarter: R$ 305.053,04 32 vezes mais caro

VM Produções: R$ 383.164,87 41 vezes mais caro

LGL Promoções: R$ 410.979,99 44 vezes mais caro

Como isso é possível? Porque as concorrentes incluíram, sobre itens que valem cerca de R$ 7 mil, valores de "Imposto a Recolher" de R$ 162 mil a R$ 219 mil e "Taxa Administrativa" de R$ 135 mil a R$ 183 mil. Impostos e taxas que representam mais de 4.000% do valor dos itens. Isso não tem nenhuma lógica comercial a não ser que o objetivo seja inflar artificialmente o valor total das concorrentes para fazer a SP Turis parecer muito mais barata do que realmente é.

As concorrentes inflaram seus totais em 40% de um ano para o outro

Embora os preços unitários sejam idênticos em 2024 e 2025, os valores totais das propostas das concorrentes subiram drasticamente:

Empresa Total 2024 Total 2025 Variação
SP Turis R$ 56,1 mi R$ 56,1 mi 0%
MM Quarter R$ 59,0 mi R$ 83,0 mi +40,8%
VM Produções R$ 63,9 mi R$ 91,7 mi +43,6%
LGL Promoções R$ 70,5 mi R$ 100,7 mi +42,7%

Essa inflação nos totais aconteceu porque o quadro comparativo de 2025 utilizou quantidades de eventos diferentes. O resultado prático é que a "vantagem" da SP Turis, que em 2024 era de apenas 5% sobre a concorrente mais barata, em 2025 saltou para 48%. Uma diferença que parece muito mais convincente no papel mas que é igualmente artificial.

A proposta com a data errada

Um detalhe pequeno, mas revelador: a proposta da LGL Promoções de 2025 está datada de "16 de Maio de 2024". Deveria ser 2025.

Esse erro sugere algo simples e grave ao mesmo tempo: a proposta de 2025 foi provavelmente copiada da proposta de 2024, com os mesmos valores, e quem fez a cópia esqueceu de mudar o ano. É o tipo de descuido que acontece quando alguém está apenas reproduzindo um documento, e não elaborando uma proposta comercial genuína.

Mesma agência bancária: coincidência ou conexão?

Outro dado que chama atenção está nos dados bancários das empresas concorrentes.

A VM Produções e a MM Quarter duas das três empresas que supostamente competem entre si possuem contas na mesma agência do Banco do Brasil: a agência 47708. A VM Produções tem a conta 14.9438 e a MM Quarter tem a conta 14.3928.

Ter conta na mesma agência não é, por si só, prova de nada. Mas quando duas empresas que deveriam ser concorrentes independentes compartilham a mesma agência bancária, apresentam preços que seguem a mesma fórmula matemática, respondem às mesmas pesquisas de preços no mesmo prazo impossível, e mantêm exatamente os mesmos valores por oito meses a coincidência começa a parecer menos coincidência e mais combinação.

O procurador que questionou os números

Em meio a todo esse processo, houve pelo menos uma voz interna que levantou dúvidas. Em 20 de maio de 2025, o Procurador Paulo de Moraes Bourroul, da Consultoria Jurídica (COJUR) da SMADS, devolveu o processo apontando inconsistências nos valores apresentados pela área de Compras.

O procurador notou que a área de Compras havia comparado o valor mensal de uma concorrente (R$ 9,2 milhões) com o valor mensal do contrato (R$ 6,6 milhões), mas que esses números não batiam com o valor total do contrato. Em resposta, a área de Compras elaborou um novo quadro comparativo mas os problemas de fundo permaneceram.

Prorrogações sem fim: o contrato que nunca acaba

O contrato original, assinado em novembro de 2024, tinha vigência de seis meses. Quando esse prazo se aproximou do fim, em vez de abrir uma nova licitação, a SMADS optou por prorrogar. Primeiro por 40 dias. Depois por mais 145 dias.

Essa estratégia de prorrogações curtas e sucessivas, sempre com "cláusula resolutiva", permite que o contrato continue indefinidamente sem que haja uma competição real. E em setembro de 2025, a Divisão de Contratos já consultava a possibilidade de uma nova contratação direta ou seja, mais um contrato sem licitação, possivelmente com os mesmos atores e os mesmos preços.

O que tudo isso significa

Vamos recapitular o que encontramos:

Primeiro, os preços das três empresas "concorrentes" são, com precisão de 99,99%, múltiplos exatos dos preços da SP Turis usando fatores fixos de ×1,16, ×1,26 e ×1,40. Isso é estatisticamente impossível em um mercado real.

Segundo, esse padrão se repete identicamente em duas pesquisas de preços realizadas com oito meses de diferença, com os mesmos preços unitários, centavo por centavo.

Terceiro, as mesmas três empresas são as únicas a responder às duas pesquisas, apesar de o convite ter sido enviado para mais de 15 destinatários.

Quarto, duas dessas empresas compartilham a mesma agência bancária.

Quinto, uma das empresas errou a data da proposta, colocando 2024 em vez de 2025 sugerindo que a proposta foi simplesmente copiada.

Sexto, o Evento Tipo B foi usado para inflar artificialmente a diferença entre a SP Turis e as concorrentes, com impostos e taxas que chegam a 4.000% do valor dos itens.

Sétimo, as planilhas de custo da SP Turis foram preparadas antes mesmo de a SMADS formalizar a necessidade da contratação.

Cada um desses pontos, isoladamente, poderia ter uma explicação inocente. Mas todos juntos? A combinação forma um quadro que aponta fortemente para o que especialistas em controle público chamam de "pesquisa de preços simulada" um procedimento em que os orçamentos das concorrentes são fabricados apenas para dar uma aparência de legalidade a uma contratação que já estava decidida de antemão.

O que está em jogo

Estamos falando de R$ 56 milhões de reais do dinheiro público recursos que deveriam ser usados para proteger as pessoas mais vulneráveis da cidade de São Paulo durante ondas de calor e de frio. Se os preços estão artificialmente inflados, cada real a mais que sai dos cofres públicos é um real a menos para a assistência social.

O FASSP continuará acompanhando este processo e cobrando transparência. Os documentos citados nesta reportagem são públicos e podem ser consultados no sistema SEI da Prefeitura de São Paulo, sob o número 6024.2024/00142712.


Esta reportagem foi elaborada com base exclusivamente nos documentos públicos constantes do processo administrativo SEI 6024.2024/00142712 (507 páginas). As conclusões são analíticas e não constituem acusação formal. A SP Turis, a SMADS, a VM Produções, a MM Quarter e a LGL Promoções não foram procuradas para comentar.

O Fórum da Assistência Social de São Paulo (FASSP) é uma instância de participação e controle social que acompanha e fiscaliza a política de assistência social na cidade de São Paulo.

O que é a SP Turis e por que ela organiza eventos da Assistência Social?

Antes de entrar nos números, é importante entender o contexto. A SP Turis é uma empresa de economia mista controlada pela Prefeitura de São Paulo. Seu papel principal é promover o turismo e organizar grandes eventos na cidade — como o Carnaval e a Virada Cultural.

Nos últimos anos, porém, a SP Turis passou a ser contratada também pela SMADS para organizar eventos ligados à assistência social. A justificativa legal para essa contratação sem licitação é o artigo 75, inciso IX, da Lei 14.133/2021, que permite a dispensa de licitação quando o serviço é prestado por empresa controlada pelo próprio poder público.

Essa dispensa, no entanto, não é um cheque em branco. A lei exige que o preço seja compatível com o de mercado. E é aí que entra a pesquisa de preços — e é aí que começam os problemas.

A contratação de 2024: tudo acontece rápido demais

A história começa oficialmente em 17 de setembro de 2024, quando a SMADS elabora uma justificativa para a contratação emergencial da SP Turis. O motivo: o contrato anterior, no valor de R$ 41,4 milhões, havia se esgotado, e a cidade precisava continuar realizando as operações de altas e baixas temperaturas.

Mas aqui já aparece o primeiro ponto estranho. As planilhas de custo da SP Turis — ou seja, os preços que ela cobraria pelo serviço — foram emitidas em 6 de setembro de 2024. Isso é onze dias antes da justificativa oficial da SMADS para a contratação. Em outras palavras: a SP Turis já sabia quanto ia cobrar antes mesmo de a Secretaria formalizar que precisava do serviço.

Em 23 de setembro, a SMADS envia e-mails pedindo orçamentos a outras empresas. E aqui vem a segunda surpresa: as três empresas — VM Produções, MM Quarter e LGL Promoções — enviam suas propostas completas entre os dias 24 e 25 de setembro. Ou seja, em apenas um a dois dias úteis.

Estamos falando de um orçamento para um contrato de R$ 56 milhões, envolvendo dezenas de itens diferentes — tendas, geradores, seguranças, equipes de limpeza, água mineral, mobiliário, entre outros. Preparar uma proposta séria para algo dessa complexidade em um único dia é, no mínimo, incomum.

Em 26 de setembro, apenas três dias depois de pedir os orçamentos, a área de Compras da SMADS já tinha o parecer pronto: a SP Turis era a mais vantajosa. Contrato assinado em 21 de novembro de 2024.

O segredo escondido nos centavos: a fórmula dos preços

Até aqui, o processo pode parecer apenas apressado. Mas é quando olhamos para os preços, item por item, que a situação muda de figura.

O contrato da SP Turis envolve quatro tipos de eventos, sendo o maior deles a chamada Operação Altas Temperaturas (OAT), que inclui 17 itens diferentes — de tendas a seguranças, de geradores a caixas de água mineral. Cada empresa apresentou seu preço para cada um desses itens.

Quando colocamos esses preços lado a lado e fazemos uma conta simples — dividimos o preço de cada concorrente pelo preço da SP Turis —, o resultado é assustador:

Todos os 17 preços da MM Quarter são exatamente 1,16 vezes o preço da SP Turis.

Todos os 17 preços da VM Produções são exatamente 1,26 vezes o preço da SP Turis.

Todos os 17 preços da LGL Promoções são exatamente 1,40 vezes o preço da SP Turis.

Desvio padrão: inferior a 0,003%. Precisão de mais de 99,99%.

Para que o leitor entenda o que isso significa na prática, vamos a alguns exemplos concretos:

Item SP Turis MM (×1,16) VM (×1,26) LGL (×1,40)
Agente de Limpeza R$ 280,05 R$ 324,86 R$ 352,86 R$ 392,07
Água Mineral (cx) R$ 58,49 R$ 67,85 R$ 73,70 R$ 81,89
Seguranças R$ 356,40 R$ 413,42 R$ 449,06 R$ 498,96
Tendas 10×10m R$ 4.605,65 R$ 5.342,55 R$ 5.803,12 R$ 6.447,91
Gerador 80KVA R$ 1.523,46 R$ 1.767,21 R$ 1.919,56 R$ 2.132,84

Isso se repete em absolutamente todos os 17 itens: grades, placas metálicas, plotagem digital, mobiliário, manutenção elétrica — tudo. Em um mercado real, cada empresa tem seus próprios fornecedores, seus próprios custos de mão de obra, seus próprios contratos de aluguel de equipamentos. É impossível que três empresas independentes, ao precificar 17 itens completamente diferentes, cheguem todas a preços que são múltiplos exatos de uma quarta empresa.

A única explicação lógica é que alguém pegou os preços da SP Turis e multiplicou por 1,16, 1,26 e 1,40 para gerar as propostas das concorrentes.

2025: o padrão se repete — idêntico

Se o que aconteceu em 2024 já era grave, o que veio em 2025 tornou a situação ainda mais difícil de explicar.

Em fevereiro de 2025, a SMADS iniciou o processo de prorrogação do contrato. Como a lei exige uma nova pesquisa de preços para justificar a renovação, em 1º de abril de 2025 foram enviados e-mails solicitando novos orçamentos.

O e-mail foi enviado para mais de 15 destinatários. Mas, novamente, apenas as mesmas três empresas responderam: VM Produções, MM Quarter e LGL Promoções. As propostas chegaram em 15 e 16 de maio de 2025.

Os preços unitários de 2025 são exatamente iguais aos de 2024. Não parecidos — iguais. Centavo por centavo. E os multiplicadores continuam os mesmos: ×1,16, ×1,26 e ×1,40.

Passaram-se oito meses, a inflação acumulada no período foi de aproximadamente 5%, o mercado de eventos mudou — e, ainda assim, as quatro empresas mantiveram exatamente os mesmos preços, com exatamente as mesmas proporções entre si.

O truque do Evento Tipo B: como inflar a diferença

Além dos multiplicadores fixos, há outra manobra que chama atenção: a forma como o chamado "Evento Tipo B" foi cotado.

O Evento Tipo B é o menor e mais simples dos quatro tipos de eventos do contrato. Na proposta da SP Turis, ele inclui apenas três itens básicos: apoio operacional (4 pessoas), banheiro químico (2 unidades) e tendas 4×4 sem piso (5 unidades). O custo total: R$ 9.439,31.

Já as concorrentes apresentaram valores absurdamente maiores para o mesmo evento. Em 2025, a distorção ficou grotesca:

SP Turis: R$ 9.439,31

MM Quarter: R$ 305.053,04 — 32 vezes mais caro

VM Produções: R$ 383.164,87 — 41 vezes mais caro

LGL Promoções: R$ 410.979,99 — 44 vezes mais caro

Como isso é possível? Porque as concorrentes incluíram, sobre itens que valem cerca de R$ 7 mil, valores de "Imposto a Recolher" de R$ 162 mil a R$ 219 mil e "Taxa Administrativa" de R$ 135 mil a R$ 183 mil. Impostos e taxas que representam mais de 4.000% do valor dos itens. Isso não tem nenhuma lógica comercial — a não ser que o objetivo seja inflar artificialmente o valor total das concorrentes para fazer a SP Turis parecer muito mais barata do que realmente é.

As concorrentes inflaram seus totais em 40% de um ano para o outro

Embora os preços unitários sejam idênticos em 2024 e 2025, os valores totais das propostas das concorrentes subiram drasticamente:

Empresa Total 2024 Total 2025 Variação
SP Turis R$ 56,1 mi R$ 56,1 mi 0%
MM Quarter R$ 59,0 mi R$ 83,0 mi +40,8%
VM Produções R$ 63,9 mi R$ 91,7 mi +43,6%
LGL Promoções R$ 70,5 mi R$ 100,7 mi +42,7%

Essa inflação nos totais aconteceu porque o quadro comparativo de 2025 utilizou quantidades de eventos diferentes. O resultado prático é que a "vantagem" da SP Turis, que em 2024 era de apenas 5% sobre a concorrente mais barata, em 2025 saltou para 48%. Uma diferença que parece muito mais convincente no papel — mas que é igualmente artificial.

A proposta com a data errada

Um detalhe pequeno, mas revelador: a proposta da LGL Promoções de 2025 está datada de "16 de Maio de 2024". Deveria ser 2025.

Esse erro sugere algo simples e grave ao mesmo tempo: a proposta de 2025 foi provavelmente copiada da proposta de 2024, com os mesmos valores, e quem fez a cópia esqueceu de mudar o ano. É o tipo de descuido que acontece quando alguém está apenas reproduzindo um documento, e não elaborando uma proposta comercial genuína.

Mesma agência bancária: coincidência ou conexão?

Outro dado que chama atenção está nos dados bancários das empresas concorrentes.

A VM Produções e a MM Quarter — duas das três empresas que supostamente competem entre si — possuem contas na mesma agência do Banco do Brasil: a agência 4770-8. A VM Produções tem a conta 14.943-8 e a MM Quarter tem a conta 14.392-8.

Ter conta na mesma agência não é, por si só, prova de nada. Mas quando duas empresas que deveriam ser concorrentes independentes compartilham a mesma agência bancária, apresentam preços que seguem a mesma fórmula matemática, respondem às mesmas pesquisas de preços no mesmo prazo impossível, e mantêm exatamente os mesmos valores por oito meses — a coincidência começa a parecer menos coincidência e mais combinação.

O procurador que questionou os números

Em meio a todo esse processo, houve pelo menos uma voz interna que levantou dúvidas. Em 20 de maio de 2025, o Procurador Paulo de Moraes Bourroul, da Consultoria Jurídica (COJUR) da SMADS, devolveu o processo apontando inconsistências nos valores apresentados pela área de Compras.

O procurador notou que a área de Compras havia comparado o valor mensal de uma concorrente (R$ 9,2 milhões) com o valor mensal do contrato (R$ 6,6 milhões), mas que esses números não batiam com o valor total do contrato. Em resposta, a área de Compras elaborou um novo quadro comparativo — mas os problemas de fundo permaneceram.

Prorrogações sem fim: o contrato que nunca acaba

O contrato original, assinado em novembro de 2024, tinha vigência de seis meses. Quando esse prazo se aproximou do fim, em vez de abrir uma nova licitação, a SMADS optou por prorrogar. Primeiro por 40 dias. Depois por mais 145 dias.

Essa estratégia de prorrogações curtas e sucessivas, sempre com "cláusula resolutiva", permite que o contrato continue indefinidamente sem que haja uma competição real. E em setembro de 2025, a Divisão de Contratos já consultava a possibilidade de uma nova contratação direta — ou seja, mais um contrato sem licitação, possivelmente com os mesmos atores e os mesmos preços.

O que tudo isso significa

Vamos recapitular o que encontramos:

Primeiro, os preços das três empresas "concorrentes" são, com precisão de 99,99%, múltiplos exatos dos preços da SP Turis — usando fatores fixos de ×1,16, ×1,26 e ×1,40. Isso é estatisticamente impossível em um mercado real.

Segundo, esse padrão se repete identicamente em duas pesquisas de preços realizadas com oito meses de diferença, com os mesmos preços unitários, centavo por centavo.

Terceiro, as mesmas três empresas são as únicas a responder às duas pesquisas, apesar de o convite ter sido enviado para mais de 15 destinatários.

Quarto, duas dessas empresas compartilham a mesma agência bancária.

Quinto, uma das empresas errou a data da proposta, colocando 2024 em vez de 2025 — sugerindo que a proposta foi simplesmente copiada.

Sexto, o Evento Tipo B foi usado para inflar artificialmente a diferença entre a SP Turis e as concorrentes, com impostos e taxas que chegam a 4.000% do valor dos itens.

Sétimo, as planilhas de custo da SP Turis foram preparadas antes mesmo de a SMADS formalizar a necessidade da contratação.

Cada um desses pontos, isoladamente, poderia ter uma explicação inocente. Mas todos juntos? A combinação forma um quadro que aponta fortemente para o que especialistas em controle público chamam de "pesquisa de preços simulada" — um procedimento em que os orçamentos das concorrentes são fabricados apenas para dar uma aparência de legalidade a uma contratação que já estava decidida de antemão.

O que está em jogo

Estamos falando de R$ 56 milhões de reais do dinheiro público — recursos que deveriam ser usados para proteger as pessoas mais vulneráveis da cidade de São Paulo durante ondas de calor e de frio. Se os preços estão artificialmente inflados, cada real a mais que sai dos cofres públicos é um real a menos para a assistência social.

O FAS-SP continuará acompanhando este processo e cobrando transparência. Os documentos citados nesta reportagem são públicos e podem ser consultados no sistema SEI da Prefeitura de São Paulo, sob o número 6024.2024/0014271-2.


Esta reportagem foi elaborada com base exclusivamente nos documentos públicos constantes do processo administrativo SEI 6024.2024/0014271-2 (507 páginas). As conclusões são analíticas e não constituem acusação formal. A SP Turis, a SMADS, a VM Produções, a MM Quarter e a LGL Promoções .

O Fórum da Assistência Social de São Paulo (FAS-SP) é uma instância de participação e controle social que acompanha e fiscaliza a política de assistência social na cidade de São Paulo.